Adaptação de textos

ADAPTAÇÃO
Processo de transição ou de conversão de uma mídia para outra;

Adaptação implica mudanças e exige a compreensão de que a natureza do drama (encenação) é diferente da natureza de outros
textos que não tem esse propósito;

Modalidades: a partir da literatura (conto, romance); de um fato (acontecimento ou biografia); refilmagem.

Idéia de diálogo entre o texto original e a adaptação realizada;

o criador da história

narrativa literária: autor (por meio do narrador)

na narrativa audiovisual: o roteirista e diretor (diretor como “leitor” interfere na organização do contar, no modo como a história se transformará em filme)

como o contar se realiza

 na narrativa literária: signos verbais
 na narrativa audiovisual: imagem e som

formatos audiovisuais (cinema, vídeo, telenovela seriado, filmes produzidos para TV)
o criador da narrativa audiovisual: roteirista, diretor + os demais profissionais envolvidos na realização do produto audiovisual questão do ponto de vista ou foco narrativo

relações entre o roteirista/diretor e o universo diegético define a intencionalidade: rumos da história e as escolhas
feitas

Procedimentos

Condensação
perda de subplots;
fusão de personagens;
Corte de personagens;
deixar de fora alguns temas que podem estar presentes em um longo romance;

encontrar no material original o começo, o meio e o fim de uma linha dramática para a história.

(subplots: histórias que compõem a linha secundária da ação)

Expansão
exige acréscimos de subplots  personagens;
ampliação de cenas e linhas ramáticas (linhas de ação que ossam expressar o tema);
acréscimo de cenas e ituações novas (de acordo om a proposta do eixo
dramático);
(Ex.backstory: contar a história regressa do personagem, corrida antes do início do livro u do filme)

No processo de adaptação, é importante buscar  linha de ação dramática passível de ser rabalhada (não esquecer que trata-se de um processo de transformação da história em um filme que seja comercialmente viável, daí as implicações decorrentes desse propósito).

algumas estratégias

fortalecer a linha dramática (a história principal);
centrar a história no protagonista (personagem principal que desperta a empatia do público;
criar personagens positivos para contrabalancear com os negativos;
happy end;
saber como tornar emocionalmente satisfatório um final triste;
quando se mata um dos personagens principais, dar a outro personagem a possibilidade de continuação da história.

1- história voltada para um objetivo: a personagem
deseja alguma coisa e sai em busca daquilo que deseja (são as histórias mais simples de adaptar, porque é fácil encontrar o começo, o meio e o fim da
história):
o que a personagem quer? (quando a personagem conseguir isso, teremos chegado ao fim da história);
o que a personagem faz para alcançar seu objetivo? (este é o meio da história);
quando o desejo ou necessidade começou? (este é o começo da história).

2- história organizada em torno de um conflito:
qual é o problema ou o conflito que precisa ser resolvido? (o fim da história acontecerá quando o conflito for solucionado;

 o que a(s) personagem(s) faz(zem) para resolver esse conflito? (esse é o meio da história);
quando o conflito surgiu ou tornou-se perceptível? (este é o começo da história).

3- história de transformação:
para encontrar o começo da linha dramática da história: Quando começa essa trajetória de transformação da personagem? Qual é a sua motivação? Acontece alguma coisa que a force a começar o processo de transformação?
Para encontrar o meio da história: o que acontece à personagem na história? Como se dá a sua transformação?
Que influências ela sofre no decorrer da história? Quem o ajuda nesta transformação? Existe alguém que tenta atrapalhar esse processo?

Para encontrar o desfecho: quando consigo perceber a mudança na personagem? Quais são os indícios de que ela de fato se transformou? Existe um momento específico, ou uma determinada cena na história que mostrem que a trajetória de transformação da personagem chegou ao fim?

O procedimento da adaptação

é sempre uma leitura seletiva, um ponto de vista, ou um outro olhar que transforma a narrativa escrita em narrativa audiovisual.
a leitura seletiva, em qualquer um dos momentos do filme ou do processo de adaptação, sempre desloca o sentido do original – da literatura –
para um outro, a adaptação cinematográfica que opera através da seleção de marcas estruturais e semânticas.

a natureza do procedimento de adaptação não diz respeito apenas à relação que se estabelece entre a literatura e o cinema, mas que seu ponto de
partida é o próprio procedimento do contar, isto é a narratividade como eixo uma vez que está presente tanto no modo literário de contar uma história quanto no modo cinematográfico de contar uma história.
Ø nessa passagem, temos pontos de contato e pontos de afastamento do original em relação ao texto adaptado.

nessa passagem, são estabelecidos vínculos de diferentes ordens entre a literatura e o cinema que são desencadeadores dos diversos modos de apropriação do texto literário.

não interessa buscar a fidelidade ao original, mas sim analisar o modo
da construção narrativa, sob qual perspectiva a história é tramada e
quais foram os recursos empregados para criar o mundo ficcional que vai ser
contado com outros recursos materiais expressivos.

os procedimentos desse modos de contar são específicos:

– transformação do original em roteiro,
–transformação da personagem em ator, que é
completado com o figurino, a maquiagem e a voz;
transformação de lugares e ambientes em
– espaços cenografados;
– transformação da narração em encenação;
–inclusão dos efeitos sonoros e de uma trilha
musical.

 ainda que os elementos convencionais entre o original e a obra adaptada sejam prontamente identificáveis, tais como personagens, intriga, situação dramática e temporalidade, os meios expressivos e as linguagens
dos suportes são outros.
antes de se buscar identidades é preciso saber que a intenção de contar uma história a partir de uma história já contada sempre será a criação de novas
possibilidades de sentido.
assim, o que o público assiste é sempre uma leitura seletiva, um ponto de vista, ou outro olhar que transforma a história escrita em história audiovisual.
no processo de adaptação estão presentes as noções de: releitura e tradução intersemiótica.

BIBLIOGRAFIA

RODRIGUES, Elisabete Alfeld. Machado em novas versões: o conto no audiovisual. Revista Ângulo, nº 113, abril-junho. Lorena: CCTA, 2008.
_________________________ & JOSÉ, Carmen Lúcia. Ouvir para ver a cena cinematográfica, in Espaços comunicantes, org. Lucrecia D’Alessío Ferrara. São Paulo: Annablume; Grupo ESPACC, 2007.
RODRIGUES, Elisabete Alfeld. Quando a música é o argumento. Revista Comunicação Midiática: Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação, nº. 4. Bauru, São Paulo: UNESP, 2005.*
RODRIGUES, Elisabete & JOSÉ, Carmen Lúcia. Histórias de Retirantes: ruínas literárias no cinema. Revista Mediação/Comunicação Social – Faculdade de Ciências Humanas,

FUMEC, ano 9, n.8, Belo Horizonte, 2009.**
SERGER, Linda. A arte da adaptação: como transformar fatos e ficção em filme. São Paulo: Bossa Nova, 2007.
XAVIER, Ismail. Do texto ao filme: a trama, a cena e a construção do olhar no cinema. In Literatura, cinema e televisão. São Paulo: SENAC, 2003.

(complemento da bibliografia apresentada no conteúdo programático)
*disponível em: http://www.hist.puc.cl/iaspm/baires/actasautor1.html

http://conferencias.ulusofona.pt/index.php/lusocom/8lusocom09/schedConf/presentations?searchField=&searchMatch=&search=&track=31

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