Guy de Maupassant – 1850/1893

por Ana Divino

Fui apresentada a Henry René Albert Guy de Maupassant em uma gastronômica tarde de estudos. Seu conto A Morta impactou-me de tal maneira que o adaptei em forma de um curta metragem. E sempre sinto os mesmos arrepios quando leio o conto ou vejo o curta.

Não se trata, no entanto, de um conto (ou curta) de terror e sim de um realismo fantástico. O que arrepia não é um medo do sobrenatural ou uma criação artística de suspense ou terror. O que nos deixa aterrados é a dureza da realidade que Maupassant cria, as sinas de seus personagens atormentados, condenados por seus pecados, desejos e loucuras. E a notável habilidade que ele tem de contar suas histórias.

Seu delicioso estilo perpassa por uma descrição detalhada mas poética da realidade, uma fluidez na narrativa e certa obscuridade que me atrai. Inegavelmente um mestre da arte do conto. A variedade de seus temas e a diversidade de suas histórias retratavam toda uma sociedade e uma época.

Maupassant morreu louco, atormentado por um duplo ou algum perseguidor digno de seus contos. Ou influência deles.

Lendo sobre sua trajetória descubro que ele nasceu em Fécamp na Alta-Normandia, Norte da França, em 5 de agosto de 1850 e morreu em Paris em 6 de julho de 1893. Ou seja, produziu sua extensa bibliografia até os 43 anos. Falam em mais de 300 contos, além de poesias, peças de teatros e romances.

Entretanto a sífilis o levou ao cemitério de Montparnasse.

Minhas fontes divergem a respeito de sua infância mas confio mais na tese de que o filho de Gustave Maupassant e de Laure Le Poittevin e descendente de uma família da alta burguesia normanda teve sua juventude marcada pelas constantes desavenças e discussões dos pais. Estes se separaram em 1862 quando Guy tinha onze anos e seu irmão, Hervé, cinco. As crianças ficaram sob a tutela e os cuidados da mãe dominadora.

Que aliás indicou Maupassant a uma amigo da família: Gustave Flaubert. Que por sua vez apresentou Maupassant à sociedade literária da época e a vários escritores como Ivan Turguêniev, Alphonse Daudet, Émile Zola e Henry James.

Antes disso, porém, Maupassant serviu na guerra franco-prussiana de 1870 a 1871 sem pisar no campo de batalha e saiu da experiência empregado como funcionário público. Até começar a ganhar como escritor, inclusive o suficiente para conseguir comprar um pequeno iate.

Talvez tenha sido, nos últimos anos do século XIX, o escritor mais lido no mundo.

Tenho passeado por  seus contos ultimamente e como todos os textos sobre Maupassant citam uma listinha dos melhores, faço a minha seleção pessoal:

A Morta
O Horla
É ele?
Bola de Sebo
O colar
O medo

Três, pelo menos eu quero procurar e ler:

Mademoiselle Fifi
La Maison Tellier
Pedro e João

E um romance: Bel-Ami

Maupassant participa do naturalismo françês e lendo seu romande Une Vie (Uma vida) sua descrição detalhada da realidade, o cotidiano, a tragédia se esgueirando pela vida das personagens, não posso evitar de revisitar mentalmente O Cortiço de Aluísio Azevedo.

A literatura de Maupassant é brutal e direta, seu recorte do mundo é sombrio e angustiante, também podendo ser leve e cômico mas certamente o primeiro traço o marcou mais na imaginação de seus leitores e interlocutores. E em suas palavras:

” Os grandes artistas são aqueles que fazem a humanidade aceitar sua ilusão particular.”

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